Entrevista de Empreendedorismo Jurídico - c/ Rodrigo Padilha
Os primórdios do empreendedorismo jurídico - c/ Rodrigo Padilha, episódio 59 do #lawyertolawyer, o Podcast da Freelaw Os primórdios do empreendedorismo jurídico - c/ Rodrigo Padilha, episódio 59 do #lawyertolawyer, o Podcast da Freelaw

#59: Os primórdios do empreendedorismo jurídico – c/ Rodrigo Padilha

25 minutos para ler

Como surgiu o empreendedorismo jurídico? Como digitalizar um escritório de advocacia?

Como criar uma gestão profissional na advocacia? Como conseguir mais clientes de forma ética?

Como superar os desafios do “novo normal”?

No episódio 59 do #lawyertolawyer, Gabriel Magalhães entrevista uma das “lendas” do empreendedorismo jurídico, o Rodrigo Padilha.

Ele é:

  • Advogado e empresário do mundo digital com reconhecimento profissional no Brasil e nos EUA. 
  • Autor de 8 livros, professor e palestrante, semeia seu conhecimento no seu país de origem e no país que escolheu morar, EUA. Empreende nos dois países e opera diariamente na bolsa de valores norte-americana. 
  • Fundador do treinamento de Empreendedorismo Jurídico, do Investidor Maverick e de uma das maiores turmas de segunda fase de Direito Constitucional do Brasil. Com uma metodologia única que une informalidade, verticalidade e técnica, dedica-se a ajudar pessoas a desenvolverem seus negócios e operarem seus investimentos no Brasil e nos EUA, já tendo, ao longo de 20 anos de carreira e mais de 28.000 horas de docência, auxiliado com sucesso centenas de milhares de profissionais nessa missão.

Escute o episódio e aprenda sobre empreendedorismo jurídico com Rodrigo Padilha!

Assista a entrevista pelo Youtube!

Leia a transcrição!

Você está ouvindo o Lawyer to Lawyer, as melhores práticas de gestão, inovação e tecnologia no direito. Meu nome é Gabriel Magalhães, bem-vindo ao Lawyer to Lawyer. Este podcast é oferecido pela Freelaw, a forma mais segura para que seu escritório de advocacia contrate advogados online sob demanda. E eu sei que talvez você nunca pensou nessa possibilidade. Mas, agora você pode realizar parcerias com advogados especializados em qualquer área do direito, de acordo com a sua necessidade. É só entrar no site www.freelaw.work e enviar a descrição do serviço que precisa ser executado, as orientações, o prazo e aí só aguardar a mágica acontecer e você visualizar as propostas dos profissionais. Faça parte agora da nossa comunidade e aumente o portfólio de serviços jurídicos que seu escritório oferece aos seus clientes.

Gabriel: Olá advogado, olá advogada. Sejam bem vindos ao episódio 59 do Lawyer to Lawyer, eu tenho o prazer de receber Rodrigo Padilha, provavelmente vocês o conhecem, ele é um dos maiores influenciadores jurídicos do Brasil e sempre esteve muito presente para todos que querem estudar sobre marketing e empreendedorismo jurídico. Estou honrado de fazer esse podcast. Para os poucos que ainda não o conhecem, ele é advogado e empresário do mundo digital com reconhecimento no Brasil e nos Estados Unidos, autor de oito livros, professor e palestrante, semeia conhecimento no Brasil e no país que ele mora, os Estados Unidos – inclusive ele acabou de mudar, tanto é que tivemos que ajustar as datas para a gravação. Além disso, ele fornece vários cursos para o mercado jurídico e tem uma das maiores turmas de Direito Constitucional do Brasil.

Rodrigo: Obrigado Gabriel, é um prazer estar aqui com você falando para essa grande comunidade jurídica que eu tanto amo.

Gabriel: Conta um pouco da sua trajetória, como você está vendo esse momento da Covid, como está sendo a quarentena para você, qual a sua percepção sobre o mercado? Dá um pouco de luz para a gente.

Rodrigo: Vamos lá, primeiro sobre minha trajetória, vou transformar 20 anos de carreira em dois minutos. Sou formado em marketing e em Direito, eu fazia marketing quando me apaixonei por Direito, tentava estágios em marketing e, por não conseguir, fui ser um faz tudo em um escritório de advocacia. O que me fez me apaixonar pela área jurídica, comecei a fazer procuração como todo estagiário e se sentir o máximo.

Quando me formei, acreditei, como 99% das pessoas que cursam direito, que eu iria abrir um escritório de advocacia e ganhar dinheiro, mas a realidade é diferente. Abri o escritório e não deu certo, na verdade, eu comecei a trabalhar muito e ganha pouco, eu me sentia na corrida dos ratos, trabalhava o mês inteiro e no dia 31 você está zerado de novo, tendo que refazer tudo. Chegou um momento em que eu dava aula, advogava e já dava algumas palestras, até que encontrei um discurso de Steve Jobs onde ele falava um pouco da sua vida de empreendedor e eu pensei em como usar aquilo no Direito, então peguei referências da minha faculdade de marketing, no vídeo ele fala que fez uma matéria de caligrafia na faculdade e ninguém entendia o motivo disso, quando ele fundou o MAC, ele criou as fontes que usamos o tempo todo, com base nas aulas de caligrafia que as pessoas achavam que ele era louco por fazer.

Então, muitas coisas a gente só entende o motivo depois de um tempo. Foi assim comigo e o marketing, liguei os pontos e estruturei a minha vida depois de tentar conectar o marketing e o Direito. Eu compreendi que o Rodrigo Padilha não deveria ser uma pessoa física, e sim uma pessoa jurídica, uma empresa, e comecei a me tratar e tratar o meu escritório como uma empresa.

Ontem mesmo eu falei nos stories como nós devemos nos ver como empresas, muitos olham para o contexto do Covid e pensam: “Ah, o meu escritório está fechado há três meses”, mas o escritório não está no centro de tudo, você pode trabalhar de casa, o espaço físico não é a empresa, você tem que ser o seu business. Eu entendi isso em 2007 e minha vida mudou, comecei a desenvolver forte o empreendedorismo, sobre o que ninguém falava no Brasil ainda, comecei a escrever os livros, dar palestras, vir aos Estados Unidos dar palestras e em 2012, por exemplo, eu vim dar um ciclo de palestras aqui nos EUA, em Miami, Orlando e outros estados, foi onde percebi que aqui a maioria dos advogados eram empreendedores, enquanto eu era um lobo solitário no Brasil. Aqui nos Estados Unidos praticamente todo mundo é empreendedor, inclusive na semana passada eu estava com uma advogada e, para ela, falamos sobre empreendedorismo jurídico como a coisa mais normal do mundo, pois ela aplica aquilo no seu dia a dia.

Dessa forma, sai daqui em 2012 decidido a levar a questão do empreendedorismo para o Direito, pensei nesse nome “empreendedorismo jurídico”, que não existia no Brasil ainda, nem mesmo no google, esse termo saiu dessa cabeça careca que estava enlouquecendo para criar essa coisa que tanto pesquisou e não encontrou, hoje em dia todo mundo fala, graças a Deus vemos vários advogados empreendedores e o resto é história.

Em 2007, no mesmo ano que comecei a empreender no Direito, não parei no meu escritório de advocacia, comecei a empreender também com um curso jurídico, um curso chamado Lapsus, que eu vendi em 2011 por um valor 5 vezes mais caro do que aquele que eu gastei para construí-lo. Com o dinheiro eu criei o meu curso online, porque em 2011 eu já tinha a mentalidade de que o futuro era online e não presencial. As pessoas ainda acreditavam que as aulas seriam “via satélite”, que teriam que ir assistir aulas em um telão, um professor gravando aula em São Paulo e as pessoas assistiriam aquilo juntas. Mas mesmo há anos atrás eu já pensava que as pessoas deveriam assistir aulas de suas próprias casas, enfim, eu brigava por isso e tornei o meu próprio curso jurídico online.

Desde que comecei a empreender, antes de 2011, meu escritório já estava na nuvem, lembro em 2010 quando eu estava em São Paulo fazendo o meu mestrado, tomando um café no centro da cidade, enquanto corrigia petições de meus advogados que estavam na Barra da Tijuca pelo dropbox. Minha vida sempre foi online, sempre falei para meus advogados que o lugar do advogado que leva clientes não está dentro do escritório, e sim fora. Se você ficar dentro do escritório ninguém vai lhe ver, quem não é visto não é lembrado. Quem vive dentro do escritório se torna operacional, e eu vivia fora do escritório, continuei fazendo atendimentos, petições, corrigindo, orientando, mas passava muito tempo fora. Eu dava aula em 5 estados diferentes, 16 instituições diferentes, mas o meu escritório estava comigo, no meu celular.

Na realidade, a primeira vez que usei o escritório no celular foi em 2008, porque o meu amigo processualista XX, com quem eu dava aulas na XX, me mostrou que ele tinha até scanner no celular e decidi comprar um iPhone para tornar as coisas mais na nuvem. Eu estou contando tudo isso porque você me perguntou como o Covid me afetou, você já me conhece e te digo, com a maior humildade do mundo, não quero me ostentar e sou avesso a isso, mas o Covid me afetou zero, absolutamente zero por cento, pois desde 2008 – aqui estou fazendo um flashback da minha vida enquanto falo contigo – comecei a usar os aplicativos de celular no escritório, em 2011 tornei meu curso online, então há mais de 10 anos minhas coisas já estão na nuvem. Essa obrigatoriedade atual de que todo mundo tem que ir para o online não me afeta, pois essa já é a minha realidade desde quando tudo era mato e todas as pessoas estavam presenciais.

Os meus alunos sabem disso, bato muito nessa tecla quando falo sobre empreendedorismo, que é o fato de que o advogado tem que ser nômade, tem que ter uma estrutura online e para ter isso hoje em dia é praticamente tudo de graça, na minha época era tudo caríssimo, uns 100 mil reais para qualquer bobagem, enquanto hoje em dia você estar online é até mais barato para o seu custo fixo quando se compara com o físico. Então assim, considerando o tempo que eu tenho de serviços online isso não me afetou tanto, inclusive isso me permite me mudar bastante, morei na Florida por 6 anos, me mudei para Boston e agora estou indo para Massachusetts, mesmo sabendo que o Covid infelizmente afeta muitas pessoas, as pessoas estão acordando para o mundo online agora, isso era uma necessidade. Vou parar de falar ou isso vai se tornar um monólogo.

Gabriel: Uma coisa que me prestou atenção no que você estava falando é a questão de que os clientes estão fora do escritório e se nós ficarmos imersos nas tentativas de fazer petições e audiências perfeitas – que é o básico da vida do advogado -, isso é literalmente só o básico, é preciso ir além para se destacar no mercado competitivo de hoje. Outra coisa que eu queria saber de você é que, de um lado eu vejo alguns escritórios de advocacia que sofreram menos, os que já tinham contato com a seara digital, mas aqueles que tinham um ponto muito bom, que atuava em Direito de Trânsito e tinha sede próximo ao Detran, o que fazer com esse segundo tipo de escritório, que é muiton offline mesmo? 

Acho que é um consenso, todos adorariam ser um nômade digital, mas vejo que a maioria dos sócios antigos e experientes argumentando que construíram toda a carreira de uma forma tradicional e não sabem como buscar clientes de outra forma.

Rodrigo: Bom, quando você vem do zero é necessário estruturar uma vida online, para isso você precisa de algumas coisas, você falou especificamente de marketing mas tem várias outras coisas que precisamos nos atentar para que isso dê certo, como o uso de mecanismos de gestão: Como você vai gerir a sua equipe? Você pode ter o Trello, que se você não sabe usar procure no youtube um tutorial pois é possível organizar a sua vida inteira nessa plataforma.

Muitos se questionam como fazer petições e compartilhá-las com a equipe, é possível o uso do Google Drive e do Dropbox, como eu falei, uso o DropBox desde 2011. Como o cliente me manda o documento? Hoje em dia é possível escanear pelo celular, é só compartilhar depois. Agora, como é que eu encontro com o cliente? Esse é o grande ponto que você levantou, a questão é simples, use a mesma filosofia do presencial no mundo online, você já não era próximo dele antes? Continue.

O que eu quero dizer com isso é que você precisa se manter próximo do seu cliente, saber por onde ele navega, conhecê-lo, porque nem todo cliente é para você. Seu público não pode ser todas as classes sociais ou todas as idades, isso precisa estar bem delimitado. E até mesmo o gênero, porque se você atuar com mulheres vítimas de violência doméstica, vai ser algo mais restrito, é necessário fazer essa restrição. Se previdenciário é para uma galera mais velha e madura, você não vai procurar esse público no Tik Tok ou no Snapchat, se seu público for jovem e não for da área de business dificilmente terá Linkedin, então assim, conheça o seu público e se conecte com ele nas redes, para entender onde ele está e acompanhá-lo. Qual a rede social que você mais gosta? Aquela onde o seu cliente está.

Eu vejo muitos advogados se preparando para estar onlines, preocupados, mas o gosto do advogado não é aquele que você deve se preocupar, e sim o que o cliente gosta, porque você vai atrair os clientes com seus comentários. 

Muitos advogados cometem o erro de achar que só deve produzir conteúdo jurídico, como você falou sobre as petições, elas precisam ser boas, mas o Direito é só um dos lados da questão, tudo vai muito além. Por exemplo, se você for falar com um empresário da área de bebidas, ele sabe de tudo sobre, inclusive sobre a distribuição de logística e fluxo de caixa. Do mesmo modo você precisa ser para com o seu cliente, deve saber tudo sobre ele, onde ele está e do que ele gosta, para que você possa se moldar.

Venhamos e convenhamos, Gabriel, não se deve fazer só posts jurídicos, somos todos malucos, eu, você e seus ouvintes, porque Direito é uma coisa chata. Você ama Direito, mas as outras pessoas não, as pessoas recorrem ao Direito a contragosto, por necessidade, ninguém fica feliz por ter que conversar com um advogado em pleno domingo, resolver problema é chato e você não pode ser advogado chato até nas redes sociais. Então pense em ser agradável, fala sobre o que eles gostam de ouvir, sobre relacionamentos e família – e não de guarda compartilhada de forma complicada -, se for falar de questões jurídicas fale de forma leve e lúdica, pegando exemplos das novelas por exemplo, pois seu público não é jurídico. Se você é advogado e faz posts jurídicos nas redes, só irá atrair advogados e seu público não é esse.

Gabriel: Eu acho que a questão da Covid traz à tona problemas básicos e estruturais que estão no mundo jurídico, ao meu ver o advogado é um tanto arrogante ao acreditar que sabe exatamente o que o cliente quer, ao invés de pensar em como se comunicar com ele. Muitos não conheciam o cliente direito e com o cotidiano offline isso fica ainda mais complicado, o Covid eliminou o canal presencial e agora estamos todos conectados o dia inteiro e se você não usava esse novo canal, agora tem que desenvolver estratégias e criar algo mais sustentável. Precisamos entender, dentro da jornada dos clientes, como nos mantermos próximos a eles, pois essa presença é importante – mesmo que online.

Outro problema que eu vejo é o daquele escritório que tem excesso de demanda, eu vejo que muitos estavam sobrecarregados e continuam assim sem conseguir gerenciar o escritório por conta da Covid, você consegue passar pelo desafio do crescimento e a vida se torna um inferno. Eu quero ter minha vida online, mas como sair desse caos?

Rodrigo: Vou te falar uma coisa, é engraçado que muitos acham que o escritório de advocacia não é escalável, e o que é escalar um negócio? É ganhar mais dinheiro com os mesmos custos que você já tem ou com um pouco mais de custo, mas os custos do seu business não crescem tanto quanto o que você ganha, se seu custo crescer numa proporção menor do que você ganha, tem-se um negócio escalável e esse negócio te dá dinheiro. Se você não tem um negócio escalável, você trabalhará para o resto da vida ganhando aquele certo, seu business não cresce e, sendo sincero, muitos advogados param aí pois “não dão conta”. É exatamente nesse contexto que a estratégia deve ser alterada, para que você tenha o seu negócio escalável um mecanismo deve ser criado e você pode fazer isso de várias formas: criando processos de atuação que possam ser replicáveis por outros advogados que trabalham com você.

Por exemplo, você consegue da conta de 100 processos e trabalha muito para conseguir dar conta deles. Quando você está com 100 processos, tem margem para contratar alguém e ainda sobra dinheiro para você e você contrata um advogado e coloca ele para trabalhar nos 100 processos que você tinha e você vai ter tempo livre para continuar conquistando mais clientes, vai conseguir fiscalizar aquele advogado que está trabalhando, terá margem e conquistando mais clientes. Depois que conquistou mais 100 clientes, contrata mais um advogado e fiscaliza os dois advogados e terá a margem dobrada e assim você vai replicando o modelo. Se você criou um processo todos esses advogados que vem depois, vão repetir esse processo e fica mais fácil de controlar isso. Para isso, você precisa mostrar para esses outros advogados como eles podem crescer dentro do seu escritório, porque ninguém gosta de entrar no business e não ver futuro. Às vezes, eu vejo muito advogado reclamando que se deu mal com os funcionários que contrata. 

Aí eu pergunto aos caras se no começo esses funcionários são ótimos, mas depois estragou. Será que ele vê futuro? Ele sabe para onde está indo? Ele tem um plano dentro desse escritório?

A resposta é que dá um aumento de vez em quando, quanto de aumento? Qual o percentual? De quanto em quanto tempo? Quais são os critérios para atingir a meritocracia? O que ele tem que fazer para atingir o próximo patamar da carreira dele?

Se a pessoa não ele tende a desestimular mesmo. Então, você tem que ter um processo de planos de cargos e salários para poder escalar seu negócio.

Outro ponto importante é a internet. Hoje em dia, você tem um milhão de oportunidade nas nuvens para você conseguir escalar seu negócio o menos efetivo. Se contratar um funcionário é muito caro, você sozinho e uma estrutura online bem feita você consegue dar conta 10x mais coisas que você dava a cinco, 10 anos atrás. Hoje, você consegue escalar o seu negócio sozinho, se você souber utilizar as estruturas digitais.

Então, se você pensa em escalar o seu negócio, tem que escolher se vai escalar através de outros advogados criando processos, planos de cargos e salários ou você cria uma estrutura online que permita você escalar. Mas, você tem que aprender a escalar o seu negócio se não vai viver para o resto da sua vida ganhando aquele salário e vai ficar travado lá. 

Gabriel: Pela nossa experiência aqui na Freelaw, não sei se você concorda, mas acho que muitos advogados ainda pecam pelo básico. Se iniciar pelo básico de gestão, definindo processos, começando a entender melhor as métricas financeiras, de indicadores jurídicos e de performance da equipe, já começa a ter uma evolução bem bacana para todos e aos poucos pode está buscando formas de inovar nesse processo e tecnologias para esse procedimento ficar cada vez mais eficiente. Se, a gente eliminar a cultura topdown onde os sócios mandam e todo mundo obedece, já é um ótimo indicado que você está no caminho certo e tem uma equipe engajada. Não tem que se trabalhar igual a gente trabalhava no século passado, não tem como e ninguém fica engajado.

Rodrigo: E os advogados continuam trabalhando assim, Gabriel. É assustador o número de pessoas que eu encontro quando eu dou mentoria, quando eu falo com meus alunos, antes deles fazerem o curso. As pessoas hoje repetem padrão da década de 70 e tudo evolui, menos o sistema de ensino brasileiro e a advocacia. Eles acham que o tradicional significa ficar parado no tempo e não é isso. Tradicional significa você respeitar as tradições, mas você poder evoluir com isso.

Gabriel: E o que é engraçado que se a gente for analisar agora nesse momento de pandemia vários os advogados que começarem a utilizar as tecnologias disponíveis a 10 anos, 15 anos e existe tanta coisa disponível no mercado que pode te ajudar a escalar, como o Dropbox, colocar o escritório na nuvem, ferramentas de comunicação de vídeo conferência com o cliente, começar a produzir conteúdo no blog, fazer lives. Então, existe muita coisa legal tanto para gerenciar o escritório como para comunicar com o cliente. Aqui na Freelaw, queria até destacar um pouco disso que você trouxe nesse conceito de escalar o escritório e esse é nosso maior propósito, ajudar os advogados a escalarem negócios e geralmente quem quer escalar negócios tem uma boa sinergia conosco. A gente ajuda advogados a contratarem outros advogados sem que a gente precise aumentar o custo fixo. Então, sabemos qual a margem de lucro, o dólar está bem definido e eu sei qual o custo que eu vou ter com o serviço e eu escalo fico só revisando deixando de ser um executor de petição e me tornando um revisor de petição. 

Rodrigo: Perfeito, exatamente isso. Tem sempre que pensar no modelo escalável e você consegue replicar ele sem aumentar seus custos. E a Freelaw está bem nesse sentindo.

Gabriel: “Risos” Obrigado. E se você estivesse começando do zero hoje o que você faria? Não tem cliente, não tem nada, qual o passo a passo?

Rodrigo: Cara, eu não abria um escritório de advocacia. Não precisa ter ataque cardíaco, galera. Eu, sinceramente não abriria um escritório físico, porque no inicio o ponto é um seguinte: Existem algumas vitórias que você precisa ter para entender que está evoluindo na carreira e uma das primeiras vitórias para você saber que está no caminho é você ganhar a mesma coisa que gasta, parar de tirar dinheiro do bolso para poder viver de advocacia e essa é a primeira barreira que você tem que superar e que infelizmente a realidade dos advogados hoje muitos não conseguem sobreviver da advocacia, por incrível que pareça. Então, o primeiro ponto é que eu pensaria numa estrutura muito enxuta, ou seja, internet, computador, pegaria todos os sistemas, aplicativos, sites que eu consiga fazer online, encontraria um ramo de atividade que eu gostasse e vejo que tenha futuro. Tem muita coisa legal no direito que as pessoas não atentam e ficam sempre nos mesmos ramos do direito que todo mundo fica e tem como esmiuçar muito mais. Escolhendo o ramo do direito, veja quem é seu público, e você cria um site, entra nas redes sociais, desenvolve as suas ideias de posts bem leves, para engajar seu público e não engajar outros advogados e com base nisso iniciaria. Além de investir muito em networking, porque é sempre importante, ligaria para todos os meus amigos advogados da faculdade, marcaria um café pós-covid ou online, para trocar experiências, indicações, fazer parcerias, olhas as feiras que vão ser realizadas pós-covid. Os advogados vão muito para feiras jurídicas, mas o público não está lá, nada contra, acho legal para pegar ideias novas, mas você tem que ir nas feiras e eventos do seu público. Então, listaria todos os eventos da minha cidade e de cidades próximas, faria networking, entregaria cartão, trocaria ideia, e aí assim você começa a criar um grupo de networking legal. 

Gabriel: Você teria cartão de visita?

Rodrigo: Boa pergunta! Eu teria um cartão de visita, mas eu faria um cartão de visita virtual, pois ele é muito mais útil. Por mais que pareça antiquado o cartão de visita ele ainda é útil, se você souber usar. Por exemplo, quando eu vim aqui em 2012 nesse ciclo de palestras na Florida, eu recebi um cartão de visita de uma advogada de migração que era mais ou menos o seguinte: Pega um cartão de visita e dobre no meio, pois é era tipo um livrinho e era a cópia de um passaporte americano com o símbolo, igual ao passaporte, e quando abria tinha o nome, a especialidade, telefone, ou seja, um cartão de visita original. Então, eu já recebi um cartão visita de advogado que é imã de geladeira, logo eu faria meu cartão de visita diferente, de acordo com a minha especialidade, mas eu teria o cartão de visita virtual.

Gabriel: Legal! Eu não tenho cartão de visita. Quando a gente começou na Freelaw a gente criou um primeiro cartão de visita e ficamos no discursão de vamos para o próximo ou não vamos e até então não criamos um. Mas, eu entendo de fato que toda oportunidade de contato com o nosso cliente que a gente tente encantar é legal. Por exemplo, o Nubank que entrega carta presencial para os clientes e se torna legal. As vezes falam que o e-mail morreu, o contato x morreu, mas talvez apenas da forma antiga morreu e ainda tenhamos oportunidade de encantar.

Rodrigo: O cartão de visita principal hoje é o virtual, não o físico. Mas, é bom ter o físico, por exemplo e ter um QR-CODE que a pessoa scaneie e vá direto para o seu site ou scaneie e já te ligue automaticamente. Ou seja, cartões de visita diferente, não o padrão de antigamente e aquilo realmente não chama mais ninguém. 

Gabriel: Muito legal. Faltou alguma pergunta que eu não te fiz, Padilha? O que mais você quer trazer para gente, algum recado ou indicação final?

Rodrigo: Eu queria só falar para galera que pode parecer difícil, mas não desistam, porque as pessoas hoje, eu percebo que por mais que elas dentro da sua capacidade são formados em direitos, elas acham que a advocacia não está desenvolvendo, mas é porque elas estão vendo a advocacia bidimensional, só para um foco, tem que abrir a mente, estudar e ver empreendedorismo, porque eu tenho certeza que você pode ter muito mais da sua advocacia. Nunca desista sem antes você sugar tudo que ela tem para te oferecer, se não isso aí virar uma frustação muito grande para sua vida, porque a advocacia é linda e está ai para ser bem exercida pelos bons. 

Gabriel: Muito legal e eu acho que a gente tem estado com uma carreira multidisciplinar, porque advogado tem um milhão, mas advogado com empreendedorismo jurídico, já começa a ninchar e ficar cada vez menor esse nicho de atuação e se for pensar em advogado que pensa no nicho de empreendedorismo jurídico na sua cidade é ainda menor e ai começa a ter oportunidade. Se eu for apenas estudar direito civil e não me especializar em outras áreas, talvez eu vá está na vala comum. 

Rodrigo: Exatamente. Qualquer coisa me veja lá na rede social que é Profº Rodrigo Padilha, estou no Youtube e no Instagram com o mesmo nome.

Gabriel: Muito obrigado, Padilha! Foi um prazer bater esse papo com você, foi uma honra e eu agradeço a você em nome de todos os ouvintes, todas as dicas que você trouxe, muito legal a generosidade de você de ter participado aqui conosco e de ter compartilhado esse conhecimento com todo mundo. Te atrapalhei no meio da mudança, sei que tá difícil a rotina, mas tenho certeza que agregou bastante para todos os colegas. Na próxima semana tem o episódio 60 e já foi muita gente que entrevistamos e cada dia eu já fico mais assustado com à proporção que esse podcast está tomando, mas eu agradeço pelo apoio.

Rodrigo: Parabéns, pelo projeto!

Gabriel: Obrigado, Padilha! E   foi por causa disso que começou a trazer pessoas como o Padilha para aqui e se tiverem sugestões de próximos entrevistados e próximos temas falem conosco. Obrigado pessoal, a gente se vê novamente na próxima quarta-feira e até logo.

Rodrigo: Até logo, valeu!

Posts relacionados

Deixe um comentário