O que é a advocacia 4.0? Quais são as habilidades mais importantes para essa nova fase da advocacia?

Quais os desafios da advocacia na revolução 4.0?

Você é um advogado 4.0?

No episódio de hoje, Gabriel Magalhães entrevista Bernardo de Azevedo e Souza.

Bernardo de Azevedo e Souza

É sócio do Azevedo e Souza Advogados, escritório de advocacia com foco em Direito Digital, Tecnologia da Informação e Propriedade Intelectual. Professor do Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Feevale (RS). Fundador do Canal Ciências Criminais, o maior portal jurídico do Brasil na esfera criminal. Autor de livros jurídicos. Produtor de conteúdo digital (escreve diariamente sobre Direito, inovação e novas tecnologias no site bernardodeazevedo.com)

Gabriel Magalhães

É um dos fundadores da Freelaw e o Host do Lawyer to Lawyer. É bacharel em Direito pela Faculdade Milton Campos. Possui formação em Coaching Executivo Organizacional, pelo Instituto Opus e Leading Group. Formação em Mediação de Conflitos, pelo IMAB, e em Mediação Organizacional, pela Trigon e pelo Instituto Ecossocial. Certificações em Inbound Marketing, Inside Sales e Product Management pelo Hubspot, RD University, Universidade Rock Content, Gama Academy e Tera, respectivamente. 

Escute o episódio em seu player de áudio favorito e leia o resumo do episódio abaixo que conta com todas as referências citadas durante a gravação.

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Gabriel: Hoje eu estou muito alegre de ter aqui comigo o Bernardo de Azevedo e Souza. O Bernardo é um dos fundadores do canal Ciências Criminais, se você ainda não conhece esse canal, saiba que esse é o maior portal jurídico do Brasil na esfera criminal.

Atualmente o canal tem mais de 900 mil acessos por mês, foi feito por meio de vários autores, de uma forma colaborativa.

Ele conta um pouquinho aqui durante o episódio, e ele é uma pessoa muito qualificada para falar do tema do podcast de hoje, sobre a advocacia 4.0.

O Bernardo é sócio do Azevedo e Souza Advogados, que é um escritório com foco em Direito digital e tecnologia da informação, e também em propriedade intelectual.

Além disso, ele é professor do Programa de pós-graduação em Direito da Universidade Feevale do Rio Grande do Sul, e também é produtor de conteúdo jurídico. Todos os dias ele escreve e traz novidades no site.

Espero que vocês estejam animados para o episódio, e certamente se você quer saber mais sobre advocacia 4.0 você está no lugar certo agora.

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Gabriel: Oi Bernardo, seja bem-vindo à Lawyer to Lawyer. É um prazer estar te recebendo aqui. Estou ansioso pela conversa.

Bernardo:  Olá Gabriel, tudo bem? O prazer é todo meu de estar participando do podcast e também de contribuir com algumas orientações relacionados a este novo mundo do Direito que estamos vivendo.

Trajetória no Direito

Gabriel: Conta um pouquinho da sua trajetória para o colega advogado que está nos escutando.

Já tivemos oportunidade de conversar informalmente, um pouquinho antes do podcast você me disse que sua jornada começou em 2014.

Você criou um dos maiores blogs jurídicos do Brasil.

Como que foi isso? Porque você fez isso? E como que você começou a entrar mesmo nesse mundo das novas tecnologias no Direito?

Bernardo: Perfeito, Gabriel.  É um prazer estar falando com os ouvintes.

Eu sou advogado já tem mais de uma década. Minha formação, por muito tempo sempre foi conectando o background entre o Direito e a tecnologia.

Então sempre foi um dos meus temas de maior pesquisa e maior estudo.

Tenho uma trajetória com mestrado e pós-graduação na área de Direito focada nas ciências criminais e também uma pós-graduação em Direito Digital.

Porém, sempre busquei conectar todas essas temáticas relacionadas ao Direito e tecnologia. Recentemente, com essa nova advocacia que nós estamos vivenciando.

O canal Ciências Criminais, foi fundado em 2014. Hoje é um dos maiores portais jurídicos no Brasil.

Ele é voltado para discussão de temas importantes das ciências criminais, que abrange uma série de áreas, como: advocacia criminal, o Tribunal do Júri, a sociologia criminal, o Direito penal, o processo penal etc.

O objetivo é trazer conhecimento especializado, conteúdos práticos de colegas, profissionais da advocacia de todo o Brasil. Esses profissionais trazem as suas inquietações, suas angústias e compartilham experiências práticas com os leitores.

Hoje nós temos um tráfego mensal de aproximadamente 800.000 acessos mensais, e tem crescido mês a mês.

Nós estamos muito felizes com os resultados decorrentes dessa produção de conteúdo, dessa difusão de conhecimento e todos os resultados positivos que esse trabalho tem gerado.

Como introduzir a inovação no Direito Criminal

Gabriel: Legal, Bernardo. Porque dentro dos ramos do Direito, o Direito criminal certamente é um dos mais conservadores.

Muitas pessoas acham que é quase impossível fazer marketing nessa área, porque quem faz o “boca a boca” é uma pessoa que está sendo acusada de algum processo criminal.

Já escutei muitas pessoas falando que é complicado captar novos clientes nessa área, e você está dando um exemplo de que é sim possível fazer isso.

Bernardo: O canal Ciências Criminais, até onde eu tenho conhecimento, foi o primeiro grande portal a focar exclusivamente na área criminal.

Hoje eu tenho visto várias iniciativas e vários outros projetos que envolvem a área. Muitos colegas advogados, inclusive que tem trabalhado com a produção de conteúdo, com marketing de conteúdo e tem coletado resultados fantásticos dessa difusão de conhecimento.

Fechando contratos, recebendo oportunidades para palestras, convites para seminários etc. Tudo baseado nessa ideia de compartilhar conhecimento com os demais colegas e amigos.  Isso tudo tem gerado toda essa gama de oportunidades.

Gabriel: Você costuma dar muitas palestras sobre o tema da advocacia 4.0 e também sobre esse novo mundo do Direito.

Na sua opinião, quais são os maiores desafios dessa nova advocacia e quais são as oportunidades que você vê nesse novo mundo?

Bernardo: Eu tenho pesquisado muito sobre as novas tecnologias voltadas para o universo jurídico, sobretudo para a advocacia.

Pelo menos desde 2017 eu tenho feito muitos cursos voltados para o futurismo, novas mentalidades, e como a gente pode compreender os desafios do mundo jurídico como um todo.

O que eu tenho percebido, até em conversa com colegas também, é que a gente está vivendo um cenário em que a tecnologia é provavelmente o maior desafio dessa nova advocacia. Estamos percebendo os impactos da tecnologia no dia a dia.

Hoje temos uma gama de startups focadas no segmento jurídico, chamadas de Lawtechs e Legaltechs, que tem ofertado e oferecido soluções tecnológicas para aprimorar os serviços jurídicos.

O crescimento é realmente emocionante. Em dois anos, segundo dados da B2M, tivemos um crescimento de 300%. O que demonstra que este mercado está em clara ascensão. Produtos e serviços voltados para aprimorar o trabalho dos advogados como um todo.

Advocacia 4.0

Gabriel: E como você acha que essas novas empresas estão impactando no Direito atualmente?

Bernardo: Eu tenho percebido uma sede de frentes de atuação dessas novas empresas. Startups que envolvem áreas como analitics e jurismetria. Provavelmente um dos campos de maior impacto.

Nós vislumbramos um futuro no qual o cliente chegará ao escritório, narrará o problema dele e o advogado terá à disposição um software capaz de fazer uma análise preditiva e potencializar o caso. Inclusive, um prognóstico do percentual de acertos daquele caso, um percentual de chance de aquele caso de ser bem-sucedido.

Essa é uma tecnologia transformadora. Nós estamos ainda na fase embrionária dela. Não chegamos nesse cenário, nesse nível de acurácia, mas eu tenho conversado com algumas startups, e eles estão muito avançados nesse sentido.

Oferecem soluções mais embrionárias, mas buscando aprimorar cada vez mais esse cenário. Visando sempre melhorar suas tecnologias, seus softwares, para chegar nesse nível de acurácia, nesse nível de precisão. Para aumentar a capacidade de tomada de decisões dos advogados.

Este é um grande campo, do analitics e jurimetria. Temos outros campos como a questão relacionada a soluções alternativas de conflitos.

Uma série de iniciativas estão buscando agora evitar que as demandas sejam judicializadas, buscando alternativas de solucionar ao problema. E tem várias iniciativas que estão coletando já os primeiros resultados decorrentes de todas essas novas práticas.

Como os pequenos escritórios podem iniciar a inovação

Gabriel:  Bernardo, achei bem interessante sua fala.  Acho que estão surgindo muitas novas tecnologias, que realmente às vezes até nos assustam.

Principalmente as pessoas que estão mais distantes desse mundo. Só que por outro lado, depois que começamos a entrar um pouco mais e conhecer mais essas novas tecnologias, nós também começamos a perceber que várias dessas coisas ainda não são realidades.

Alguns advogados, principalmente de escritórios pequenos, me relataram que possuem dificuldades em encontrar o que eles podem fazer na prática para já usar algum tipo de tecnologia.

Por que? Porque a maior parte das tecnologias que existem ainda estão em fase embrionária, ou são feitas para escritórios maiores.

O que você acha sobre isso? Você acha que um escritório pequeno pode atualizar alguma tecnologia na prática?

O que você acha que ele pode fazer para aumentar a eficiência do escritório dele?

Bernardo: Eu concordo que muitos profissionais advocacia ainda não conheçam todas essas possibilidades e tecnologias que já estão à disposição no próprio mercado jurídico brasileiro.

Eles podem utilizar para aprimorar o seu serviço. O que eu tenho feito muito no meu site, que é bernardoazevedo.com, é trazer essas informações para os leitores.

Tento trazer essas possibilidades e soluções tecnológicas que já estão disponíveis e que os advogados podem aprimorar, podem utilizar e aprimorar seus serviços.

Nós temos hoje iniciativas, por exemplo, que custam algo em torno de R$19,90, que já estão disponíveis para utilização.Temos também outras iniciativas de Lawtechs que envolvem custos mais elevados.

Enfim, conforme o perfil escritório. Hoje todos advogados podem utilizar essas novas temáticas e ferramentas. Ao menos para coletar os resultados adversos disso.

Então, nós temos tanto softwares que otimizam a gestão do escritório como softwares que podem automatizar documentos, trabalhos repetitivos e rotineiros.

Com isso, o advogado tem mais tempo de dedicação para o seu cliente. Existem uma série de outros novos projetos que ele pode desenvolver em decorrência desse tempo que ele economiza terceirizando atividades ou mesmo automatizando algumas tarefas.

Gabriel: E hoje fala-se muito da advocacia 4.0.

 O que é esse conceito? E como que você acredita que os advogados devem se portar diante dessa nova realidade?

Quais habilidades que se você acha que é importante que o advogado, como sócio do escritório, desenvolva?

Além, é óbvio, da habilidade jurídica propriamente dita.

Bernardo:  Muitos pesquisadores e especialistas têm afirmado que nós estamos vivendo a Quarta Revolução Industrial. Já passamos por três grandes evoluções e hoje vivemos um momento ímpar na história.

Momento em que o mundo físico, digital e biológico estão cada vez mais conectados. Toda essa realidade está influenciando também o Direito e a advocacia.

Então a advocacia de uma forma geral está inserida no contexto da Quarta Evolução Industrial, por isso, este nome que se convencionou chamar de advocacia 4.0. Então, hoje a profissão está se tornando cada vez mais digitalizada.

Nós temos muitas atividades que são feitas exclusivamente por plataformas e, claro, sempre há aquela parte do advogado que ainda vai perdurar, que é a parte da notória. A parte do peticionamento que eu acredito que sempre vai existir.

Ao meu ver, o advogado que não compreender todas essas dinâmicas, todas essas novas mentalidades e todas essas novas habilidades, corre o risco no futuro de ser engolido por este novo mercado.

Quando a gente fala em novas mentalidades, parece que é essencial o advogado, por exemplo, compreender que hoje nós estamos vivendo num mundo exponencial. Em que as tecnologias estão crescendo de forma exponencial, e não no ritmo linear, que é aquele ritmo que nós construímos, que nós arquitetamos as nossas estruturas cerebrais, que nossos antepassados, por exemplo, viviam.

Mas hoje nós estamos vendo, por outro lado, o mundo exponencial, em que tudo está muito acelerado e as novas tecnologias estão crescendo nesse ritmo exponencial, impactando uma série de setores, inclusive o Direito.

Gabriel:  Com você falando, fiquei lembrando do “T Shaped Skills”, que a gente já falou disso aqui em alguns episódios.

Hoje vários especialistas dizem que por mais que tenhamos uma habilidade aprofundada, nós precisamos aprender outras habilidades, ainda que seja de forma superficial.

Então o conhecimento tem forma T, porque o T tem uma parte que é vertical e também tem uma parte horizontal, no formato da letra.

Se você souber um pouquinho sobre marketing, um pouquinho sobre gestão, um pouquinho sobre inovação e um pouquinho sobre tecnologia. E além disso, você for um bom advogado, que é o seu conhecimento mais profundo, você provavelmente estará mais preparado para essa nova era.

Com a sua fala, lembrei de uma pesquisa da Forbes. Eles dizem que há seis habilidades do futuro mais importante para o mercado de trabalho. Não só no mercado jurídico, mas são basicamente as soft skills.

Soft skills, são as estabilidades comportamentais como: inteligência emocional, comunicação efetiva, resolução de problemas.

Então acho que em todos os mercados, e não só no Direito, está se valorizando cada vez mais esse tipo de habilidade em detrimento do conhecimento hardcore sobre algum conhecimento específico.

A importância do conhecimento multidisciplinar

Bernardo:  Estou cada vez mais convencido que o profissional da advocacia precisa desenvolver um conjunto de habilidades, para que ele possa ter mais sucesso nesse mercado jurídico. Sobretudo o mercado jurídico do futuro.

Pegando um gancho na sua fala também, a questão da resolução de problemas complexos e o pensamento crítico, são provavelmente uma das habilidades mais importantes que o advogado tem que ter.

Porque nós somos ensinados na faculdade e no colégio, apenas a responder perguntas. Não fomos ensinados a fazer perguntas.

Hoje o mundo está exigindo profissionais com capacidade de fazer melhores perguntas, para que a gente possa coletar os melhores resultados.

Tem um pensador chamado Farestein que disse que nós não devemos buscar o conhecimento, mas sim sofisticar as nossas ignorâncias.

Então, no momento que a gente faz perguntas de impacto, perguntas fortes, a gente tem possibilidade de aumentar mais a nossa ignorância e desbravar campos que nós sequer imaginávamos.

O profissional do Direito precisa ter as habilidades de pensamento crítico, de fazer boas perguntas e, consequentemente, ele vai ter muitos resultados positivos a partir dessa nova mentalidade.

Habilidades do advogado de sucesso

Gabriel: Concordo 100% com o que você trouxe. Pegando até um pouco da sua história, eu vejo que muito do crescimento profissional foi com marketing de conteúdo, que é uma habilidade que poucos advogados sabem implementar na rotina.

Habilidades como entender o algoritmo do Google, entender periodicidade e desenvolver estratégias. Certamente não é nada fácil, né?

Bernardo: Essa habilidade envolve uma série de itens. Nós temos que conhecer mais sobre ferramentas de SEO e marketing de conteúdo.

Até mesmo a própria redação, nós temos que reaprender a escrever para esse sistema, para o público melhor dizendo. A internet requer uma linguagem menos jurídica, uma linguagem mais do dia a dia.

Então nós temos que desenvolver essa habilidade, inclusive de tirar aquela roupagem do juridiquês que foi nos ensinado na faculdade. Trazer a informação com qualidade, mas com uma linguagem mais clara, que qualquer pessoa possa entender.

Gabriel: Eu lembro que eu li um artigo no seu blog, que você fala sobre Visual Law.

O que é esse conceito, e você acha que advogados podem ou devem utilizar esse conceito no dia a dia? E como eles poderiam usar isso?

Aprenda o que é Visual Law

Bernardo: O Visual Law é um conceito que vem sendo bastante difundido os Estados Unidos. Nesses últimos dois anos tem crescido no Brasil.

Nós temos uma série de empresas que já estão utilizando as técnicas de Visual Law, que é basicamente a utilização de elementos visuais em petições.

Dá para também utilizar em contratos e em uma série de outros documentos. Eu tenho visto mais essa situação em petições.

Os advogados, cientes de que os magistrados estão cada vez lendo menos dada a quantidade de processos, estão buscando novas formas de se comunicar.

Novas formas de trazer a pretensão do cliente de uma forma mais clara, de uma forma que os juízes consigam compreender.

Naquele universo infindável de processos que têm para analisar, que eles consigam compreender a demanda e fazer uma análise já imediata.

O Visual Law tem esse viés de trazer elementos visuais, um alto poder de impacto que eles possam somar com a parte escrita. Com isso, ter mais resultados para convencer o magistrado, ou como eu costumo trabalhar também, a captura psíquica do magistrado. O que buscamos com esse conceito é isso.

Então, as técnicas de Visual Law são as mais variadas, mas envolvem a utilização de vídeos, fluxogramas, infográficos e até mesmo um story board.

Porque o advogado, de certo modo, é um contador de histórias. Ele conta, naquele espaço de texto, naquela manifestação, a história que o cliente traz.

Ele tem a obrigação de contar a história da melhor maneira possível, para então, conseguir o melhor resultado naquele caso.

Gabriel: Eu acho que, a gente até escreveu um artigo ta um pouco semelhante com você está receita trazendo, no blog da Freelaw, que o título é o seguinte: “Porque toda redação jurídica deve ser feita em word?

Antigamente era a única forma que existia, mas hoje, com tanto recurso novo, porque não incrementar algo novo para tentar aumentar o êxito e facilitar a vida do magistrado para analisar o caso?

Lembro que saiu uma notícia no Migalhas, há dois anos atrás, de um escritório que conseguiu reverter um recurso, porque ele colocou um QR code. Com esse QR code, o juiz conseguiu entender todo o processo com mais facilidade.

Então talvez tudo isso pode contribuir e também facilitar a vida do magistrado.

Vai além do pensar especificamente no visual law ou em alguma tecnologia específica. Eu acho que todas essas tecnologias falam muito da empatia, você entender muito bem o outro. Entender bem o juiz e o que o juiz espera de um advogado.

O juiz, quando ele quer receber uma petição, ele quer receber a petição de uma forma mais clara possível para que ele consiga fazer o trabalho dele e dar a sentença naquele caso da forma mais fácil possível.

Da mesma forma, o que o cliente espera do advogado?

O que o cliente ele quer desde que chegou ao escritório até o dia que saiu?

O que juiz quer do dia que recebe a petição até o dia que ele dá a sentença?

Eu acho que se o escritório começa a fazer esse tipo de pensamento crítico, vão surgir novas oportunidades de inovar. Ainda que não seja com um desses termos chiques, em inglês.

Compartilhe o seu conhecimento

Bernardo: Excelente, Gabriel. Aproveitando essa questão da empatia que tu mencionaste, queria dar um exemplo de possível uso de uma técnica visual law.

Trazendo o contexto da advocacia criminal, suponhamos que eu tenho um cliente que foi preso e está no presídio X. Eu posso, além dos argumentos em texto, por exemplo, trazer um infográfico onde eu posso apresentar de forma ilustrada dados daquele presídio demonstrando.

Por exemplo, o nível de reincidência que aquele presídio traz, que as pessoas que estão lá oferecem, os riscos de tuberculose, por exemplo, que é uma doença que se propaga dentro dos estabelecimentos prisionais. Também até mesmo o número de presos provisórios, ou seja, sem uma sentença definitiva.

Demonstrando tudo isso com esses números, com as informações que naquele caso específico, o magistrado precisa ter a empatia de compreender aquele cenário, a partir das informações textuais e visuais daquele infográfico.

Com isso, libertar o cliente temporariamente. Depois, se for o caso, se entender que é conveniente a nova prisão, que ele determine. Mas a partir daquelas informações, daqueles dados, que ele possa compreender a realidade que muitas vezes não compreenderia tão somente com a apresentação em texto.

Principais erros do advogado que quer inovar.

Gabriel: Muito legal, Bernardo. Acho que certamente vai servir de exemplo para muitos colegas que estão nos escutando.

Nós muito da advocacia 4.0, Direito e tecnologia, novas habilidades, novas possibilidades para os advogados.

Eu queria saber também, o que você acha que os advogados estão mais errando atualmente?

Quais são os maiores erros que você vê em escritório de advocacia e em advogados?

O que você acha que eles podem começar a fazer amanhã para melhorar, nem que seja um 1%?

Bernardo: Eu tenho visto que muitos advogados simplesmente ignoram essa realidade. Ignoram os fatos e todo este universo de startups que estão agora se promovendo.

Se divulgam e divulgam seus serviços da forma tradicional. Simplesmente ignoram essa a realidade, como se essa realidade não fosse impactar o mercado, ou não fosse atingi-los.

O que eu vejo é um movimento de novos advogados, agora também buscando saber mais sobre esse novo mundo do Direito.

Uma série de colegas com quem eu tenho conversado, que antes simplesmente ignoravam esse tipo de assunto, de novos recursos, novas tecnologias, estão agora buscando conhecimento e buscando inclusive aplicar essas novas técnicas em seus escritórios.

Eu vejo isso com muito bons olhos porque eu acredito que o advogado deve enxergar a tecnologia não como ameaça, mas como oportunidade.

Eu estou convencido de que todos esses novos recursos, todas essas novas startups, estão trazendo oportunidades, e que os advogados que souberem aproveitá-las vão ter muitas chances nesse novo mercado e vão poder alçar voo neste novo universo.

Então, o que eu penso é que o advogado deve enxergar as novas tecnologias como oportunidade e não como ameaça.

Os colegas que têm feito isso, os advogados que têm absorvido essa compreensão, já estão começando a coletar os resultados.

A partir de amanhã, por exemplo, um advogado que está agora ouvindo pela primeira vez este tema, eu sugiro que comece a ler a respeito e a frequentar eventos do ecossistema empreendedor.

Tenho certeza que após alguns meses em contato com esses domínios, ele terá, certamente, uma visão mais apurada e mais aprimorada sobre este novo mundo do Direito.

Como melhorar sua performance nos desafios da advocacia na revolução 4.0

Gabriel: Muito bacana, Bernardo. Você acha que para alguém que quer aprofundar mais, além de ir nos eventos, ler sobre isso, você tem outra dica?

Bernardo:  Acredito que a leitura é fundamental.

Inclusive eu indico as obras do professor Richard Susskind, que ele traz como ninguém os problemas e os desafios advocacia, trazendo uma ótica britânica, mas também sempre conectando o mundo como um todo.

Então, os vários países que atuam neste ramo, ele sempre traz algumas informações importantes. É um ponto de partida interessante a leitura de biografia especializada.

Aqui no Brasil, nós temos alguns livros já publicados pela Future Law em parceria com a Thomson Sons Reuters, que trazem essas novas abordagens, essas novas discussões.

São obras que eu recomendo e tenho sempre indicado para aqueles que querem compreender a visão brasileira, a perspectiva brasileira sobre esses novos temas.

Eu penso que é fundamental comparecer nos eventos, ter contato com as startups, por exemplo. Nós temos várias iniciativas de demoday, teve uma recentemente no Rio Grande do Sul, aqui em Novo Hamburgo. Onde algumas startups mostraram seus serviços.

Esse tipo de evento é fundamental que advogado compareça, até para ter contato prático com aquele mundo e ver que aquelas coisas, iniciativas e soluções que já estão acontecendo na prática.

Gabriel: Legal, Bernardo concordo 100% com o que você trouxe.

Eu acho que algo que pode somar a isso também, é que os advogados frequentem eventos fora do Direito. Em geral, eu acho que dizem muito que os países subdesenvolvidos são o reflexo dos países desenvolvidos.

A tecnologia que está nos Estados Unidos hoje é o que vai surgir aqui em cinco anos. Eu acredito que a lógica também é verdadeira quando a gente compara o mercado jurídico com os outros mercados.

Geralmente a inovação no mercado jurídico vem depois dos outros mercados.

Então, se a gente aprende com outras empresas que estão liderando outros segmentos, considerando que o escritório de advocacia é uma empresa de prestação de serviços.

A respeito da discussão da mercantilização que eu não quero entrar hoje, mas todo escritório precisa aprender esses conceitos que já são utilizados em outros setores da economia.

Geralmente as discussões nesses outros setores são muito mais profundas do que o que acontece nos eventos jurídicos.

Bernardo: Eu concordo plenamente com você nesse ponto.

Eu tenho frequentado muitos eventos de empreendedorismo, inovação, tecnologia, fora do Direito. Saio, geralmente, com uma outra visão, com outro olhar.

Perfeitamente. Podemos adaptar essas novas experiências, esses novos ensaios para o contexto do Direito.

Eu concordo que é fundamental que os advogados frequentem outro tipo de evento que não seja voltado à área jurídica.

Porque a gente pode, assim, conseguir cada vez mais desenvolver as nossas habilidades e se tornar profissionais multidisciplinares.

Eu penso que hoje fundamental nós dominarmos uma série de segmentos para que a gente possa cada vez mais aprimorar os serviços e ser melhores profissionais.

Gabriel: O Bernardo mesmo fez uma atividade muito bacana, ele entrevistou diversas empresas de tecnologia para o blog dele.

Então quem quiser conhecer diferentes startups, ele fez uma curadoria de startups bem legal.

Ele também tem um radar de Law Tech e Legal Techs, é só entrar no site deles. Se você quiser participar também da B2L é só pedir para entrar, que são superabertos os grupos.

Da mesma forma, as diversas comissões de startups da OAB estão subindo. É possível que você também entre para esse meio.

Aqui na própria Freelaw, a gente produz muito conteúdo. Esse podcast, salvo engano, é o número 28. Já temos 28 horas de conteúdo praticamente.

Também temos um curso online no YouTube que a gente traz tecnologia e inovação na prática para advogados. E também temos mais de cem artigos publicados no nosso blog.

 Então quem quiser realmente estudar e aprender, não falta conteúdo.

Agora, um cuidado que eu gostaria de alertar vocês. Cuidado para não ficar só estudando, porque se você ficar só estudando, não vai acontecer a mudança que você quer.

É importante que você faça as coisas, execute testes, porque é assim que surge a inovação.

Se você só estudar, você vai virar um ótimo teórico sobre inovação. Mas dificilmente você vai conseguir criar um novo modelo de escritório de advocacia.

Como aprender sobre essa nova fase da advocacia no Brasil gastando pouco.

Bernardo: Perfeito, Gabriel. Concordo plenamente.

Hoje o conhecimento está à disposição de todos, ao alcance de um clique. Nós temos uma série de cursos gratuitos, uma série de iniciativas que podem ser acessadas por qualquer pessoa que tenha interesse.

Ao mesmo tempo, como tu mencionaste, a gente não pode deixar a nossa mente obesa. Nós temos que aprender aquele conhecimento, mas já aplicá-los, utilizá-los na prática. Porque é isso que vai fazer toda a diferença.

Não apenas absorver o conhecimento, mas sim utilizar ele no dia a dia, no cotidiano forense, ou mesmo iniciativas como startups e criação de novos negócios.

Gabriel: Muito legal, Bernardo. Gostei muito da conversa com você.

Começamos falando sobre Direito e tecnologia, falamos da advocacia 4.0, das novas habilidades que o advogado precisa ter nessa nova fase do Direito e falamos de visual law.

Certamente você é um grande exemplo para vários colegas advogados. Porque saiu de um tráfego mensal e de 0 pessoas nos seu site para 900 mil pessoas.

Hoje você é um palestrante muito conceituado e tem o maior blog de Direito criminal do Brasil. Tenho certeza que isso tudo vai servir de inspiração para muitas pessoas. Mas eu tenho certeza que nada disso foi fácil.

Você começou em 2014. Muitas pessoas acham que vão começar a escrever conteúdo e que amanhã vai vir o resultado.  Não é assim, as mudanças demoram a acontecer.

Você algum recado final para a gente, Bernardo?

Bernardo: O meu recado final é que a gente tem que ter resiliência nessa atividade da advocacia. Realmente não é fácil, mas “impossível” não é uma palavra que a gente deve ter no nosso vocabulário.

Tudo é possível. Temos que aprender cada vez mais novas habilidades, desenvolver conhecimentos e aplicar isso na prática.

Testar, manter o que dá certo, mudar o que está errado. Mas sempre buscando construir.

Acredito em uma advocacia colaborativa em que a gente possa compartilhar conhecimento e experiências.  Eu sou cada vez mais convencido de que este é o caminho.

Muitos colegas tem lidado com essa ideia nova de não reservar o conhecimento para si, mas sim compartilhar com todos, porque o conhecimento deve ser compartilhado.

Quando a gente compartilha o universo conspira a favor. A reciprocidade responde, e as pessoas se tornam gratas a você por ter compartilhado aquele conhecimento.

Tudo acontece, uma gama de oportunidades, de novos negócios e de novas parcerias.

Então é resiliência. Sempre apostar isso mesmo, seu conhecimento nas suas habilidades e também o máximo possível compartilhar tudo isso com os outros colegas, os outros profissionais.

Gabriel: E para completar a sua fala. Esse encontro nosso aqui hoje não teria acontecido se tanto a Freelaw, quanto o Bernardo não produzissem conteúdo.

Porque nós conhecemos o trabalho do Bernardo e ficamos impressionado com a qualidade dele, por causa do conteúdo. Ele também teve acesso ao conteúdo da Freelaw por meio do podcast.

Então acaba que quando você produz conteúdo, você pode ter novos clientes para o seu negócio e novos parceiros. Existem muitas possibilidades, estão é só ir aos poucos.

Mas não se esqueçam: talvez não seja na primeira semana que você vai ter resultados. É importante que você vá aos poucos.

Bernardo: Perfeito, Gabriel.  Com certeza pode estar falando de uma admiração recíproca aqui, mútua.

Nos conhecemos em razão dos conteúdos publicados e, a partir daí, formamos essa parceria. Esse coleguismo e todas essas oportunidades que podem ser geradas a partir deste contato.

Então é um prazer estar falando com vocês e podendo contribuir com o blog e com os ouvintes do podcast. E sempre contem comigo, estou à disposição.