Você está tendo dificuldades para encontrar seu lugar no mercado jurídico?

Você quer saber como criar sua sorte na advocacia?

Aprenda a correr atrás do sucesso e como superar as dificuldades que a concorrência impõe ao advogado.

No episódio #15, Gabriel Magalhães entrevista Leonardo Sette.

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Leonardo Sette

É doutorando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2018).

Mestre em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil (2017).

Graduado em Direito pela Faculdade Milton Campos (2015).

Atualmente, é Professor da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira – FUNCESI e Advogado associado do escritório Magalhães e Chegury.

Gabriel Magalhães

É um dos fundadores da Freelaw e o Host do Lawyer to Lawyer. É bacharel em Direito pela Faculdade Milton Campos.

Possui formação em Coaching Executivo Organizacional, pelo Instituto Opus e Leading Group.

Formação em Mediação de Conflitos, pelo IMAB, e em Mediação Organizacional, pela Trigon e pelo Instituto Ecossocial. Certificações em Inbound Marketing, Inside Sales e Product Management pelo Hubspot, RD University, Universidade Rock Content, Gama Academy e Tera, respectivamente.

Escute o episódio em seu player de áudio favorito e leia o resumo do episódio abaixo que conta com todas as referências citadas durante a gravação.

Gabriel: O Leonardo é uma das pessoas que eu mais admiro, como vários de outros convidados que a gente teve aqui até então, uma pessoa muito humilde, muito batalhadora e que está conseguindo muito sucesso em sua vida profissional.

Seja muito bem-vindo, Leo, conta um pouquinho da sua experiência.

Leonardo: Obrigado, Gabriel. Fico imensamente honrado com o convite e também com as palavras, é sempre bom a gente compartilhar experiências e desafios.

Espero que o nosso encontro aqui hoje seja recheado de muitas trocas, muitas informações e que todos os nossos objetivos sejam alcançados.

Gabriel: Legal, tenho certeza que serão. Conta um pouquinho da sua história, eu já te conheço há mais tempo e sei que nem sempre você quis advogar.

Trajetória

Leonardo: É, acho que a trajetória é um pouquinho longa, até chegar mesmo na atuação enquanto advogado.

Não que os ouvintes pensem que eu sou um velho, mas realmente é porque foi uma trajetória sempre marcada por muitos desafios, muita luta.

Eu nasci na cidade de Raul Soares, é uma cidade bem no interior de Minas e eu me lembro muito de quando estava na 7ª para a 8ª série e meu pai, com todos os seus ensinamentos, mas que também não teve muita oportunidades em vida na área estudantil, chegou e me falou comigo e com meu irmão: “Olha, agora até aqui vocês têm duas escolhas, ou vocês vão para a enxada ou, se vocês quiserem, vocês vão luta com seus próprios caminhos”.

Sem desmerecer, também, o trabalho da enxada, não é isso, mas é que para ele, a realidade foi essa, então ele via isso como um caminho também possível e, obviamente era.

Ali, tentando perceber, ainda criança, o que a gente poderia fazer e minha mãe com sua sabedoria de mãe, enfrentou desafios junto conosco, e decidimos que a gente ia tentar estudar um pouco mais.

Então eu consegui uma bolsa enquanto monitor na escola Anglo, para poder estar fazendo o Ensino Médio. Dava minhas monitorias e, enfim, assim fui até o terceiro ano, onde tinha outra decisão a ser tomada: agora vinha o vestibular.

Apareceu a oportunidade de ir para a cidade de Viçosa, uma cidade muito universitária, acredito que nossos ouvintes também conheçam bastante, e lá foi, desde o início.

Eu tinha a convicção de fazer o curso de Direito, mas sem saber qual seria minha área de atuação. Coloquei essa meta e fui enfrentando, e ali comecei, já no primeiro período a fazer estágio num escritório.

Como se diz, aquela vontade de “ser alguém na vida” e comecei a lidar com pessoas, no dia-a-dia.

Como criar sua sorte na advocacia

Inicialmente eu comecei, lembro direitinho, ficava todo dia pedindo estágio para esse advogado, Dr. Arlindo, inclusive, depois tive a oportunidade de compartilhar a nossa conversa de hoje com ele também, acho que ele vai poder confirmar bastante isso.

Então todo dia eu ficava esperando a oportunidade para fazer um estágio.

Enfim, em um certo dia, ele me ofereceu uma vaga durante um mês para cobrir as férias de sua secretária. Então fiquei um mês e foi muito promissor.

Eu ficava atendendo telefone e fazia o que tinha que fazer. Aí chegando os 30 dias de final de férias da secretária, ele me chamou e fez o convite para que eu permanecesse.

Eu estava gostando muito, estava aprendendo muito, início de curso é difícil, não temos muita noção.

E ali continuei, fiquei quase três anos. E depois apareceu a oportunidade de fazer um concurso.

Eu tinha aquela visão de que precisava ter algo fixo no orçamento para eu poder continuar os estudos.

Fiz um concurso para a prefeitura de Belo Horizonte e tive a felicidade de ser contemplado.

Aí vinha o desafio que era ir para Belo Horizonte, e, enquanto estava no período de posse e nomeação, consegui um estágio na Martinelli Advocacia Empresarial.

Também por pouco tempo porque tive que optar entre um e outro, mas eu acabei escolhendo a carreira como servidor público, inicialmente, em razão dessa questão da estabilidade, que eu precisava e via ali.

Fiquei bastante tempo, fiz quase toda minha graduação estagiando na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

Depois, concluída a graduação, surgiu a oportunidade de fazer a prova do mestrado. Graças a Deus, mais uma vez, fui contemplado e, para minha surpresa, fui contemplado com uma bolsa na Faculdade de Direito Milton Campos e lá ingressei.

E, nesse ínterim, eu precisava rever a minha vida e, até você, Gabriel, entrar aí com uma participação muito grande nisso.

Você vai lembrar que a gente teve uma conversa, “ah, mas será”, sempre naquela questão estudantil nossa, aquele sonho de estudante de abrir o nosso próprio negócio.

Lembro que, numa dessas, a gente conversou e falou: “ah, vamos abrir um escritório um dia pra gente?” “Vamos!”

E, você lembra muito bem, que eu sempre tinha essa mente: “Pô, mas eu não posso largar aqui a Prefeitura, como eu vou fazer, eu não tenho com o que cobrir aqui, como vai ser?”

E você, com essa visão sempre de futuro e otimista, e de já enxergar lá na frente, falava: “Não, com isso daí você não tem que preocupar”, deu suas críticas à estabilidade.

Eu lembro que, numa dessas conversas, seu pai, o Elder Guerra, falou: “Vocês estão malucos? Eu tenho um escritório aqui há já quase 30 anos, bem consolidado, sou um advogado conhecido e renomado, enfim, vocês não querem tentar aqui comigo?”

E eu lembro que vim, fiz a entrevista no Magalhães & Chegury, o que deixou as coisas muito claras, foi uma conversa muito firme, e decidi largar tudo, o famoso “quebrar a ponte” mesmo.

E vim para Itabira, e aí debrucei mesmo na advocacia.

Então, formei em 2015, concluí o mestrado em 2017 e, desde então, sempre atuando na advocacia e é o que eu amo.

Hoje eu vejo que Deus sempre sabe as nossas escolhas, mas a gente tem que saber respeitar o tempo.

Então acho, Gabriel, que é um pouco disso. Eu falei inicialmente que, realmente, a trajetória era longa. Espero que nosso ouvinte tenha a paciência para escutar tudo isso.

Gabriel: Legal demais, Leo. A história do Leo é uma das histórias, talvez a história mais bonita que eu conheço.

Porque ele contou pra gente desde o início, a gente ficou amigo nos estudos desde o início mesmo, então, sempre que eu tenho alguma dificuldade na vida eu penso: “Nossa, mas o Leo já passou por alguma coisa mais difícil”.

Você é um exemplo muito grande de resiliência, conseguiu vencer tudo.

E o Leo foi muito modesto nessa trajetória dele porque ele estudou em Viçosa e lá em Viçosa, quando ele começou a faculdade ele tinha bolsa.

Depois ele conseguiu uma transferência para a Milton Campos, conseguiu bolsa de novo. Além de conseguir bolsa na Milton Campos, ele conseguiu ir para a Espanha apresentar um artigo com tudo pago pela faculdade.

Foi monitor na faculdade, participou de projetos, iniciação científica, grupos de estudo, então assim, por todos os lugares que ele passou, foi bem sucedido.

E hoje, além de advogado, ele é professor na FUNCESI e ganhou recentemente o prêmio, pelos alunos, de melhor orientador de monografia, além de já ter sido homenageado algumas vezes. Então ele é realmente uma pessoa muito fora da curva.

As nossas histórias se misturam um pouco porque a gente trabalhou junto durante a faculdade.

Fomos bem sucedido na coordenação de alguns grupos de estudo, erramos muito juntos também. Mas com as experiências que a gente teve ali, a gente pensou em abrir um negócio, e naquele momento, a gente foi junto para um escritório de advocacia.

E aí, na época, eu lembro que eu fui um dos influenciadores para que o Leo fosse contra o concurso.

Leonardo: Exato.

Concurso público: porque atrai tantas pessoas?

Gabriel: Eu não acho que eu sabia qual era o seu lugar, mas, como um empreendedor que sou, em sempre tento questionar essa escolha.

Leonardo: É, eu penso que, principalmente pelo que eu vejo hoje em sala de aula, é uma dificuldade mesmo de todo aluno.

O aluno, hoje, quando você pergunta para ele, já quer logo as questões de múltipla escolha, porque ele está focado num concurso, é quase uma profissão.

Se a gente for pensar assim, igual você pontuou, não é que um é menos, outro é mais, mas de repente é um leque de oportunidades que o Direito realmente oferece.

Nós tentamos sempre enfrentar o desafio, colocar a meta que a gente quer, nem sempre a gente alcança de primeira. Obviamente que a gente não alcança muitas vezes de primeira.

Hoje eu vejo que a advocacia é muito gratificante e é também marcada por muitos desafios.

Os desafios são diários, não vou falar que não são, mas são desafios diários porque cada dia surge uma nova questão diferente, um novo cliente diferente, com uma nova dor diferente.

Então, hoje, eu sinto muito feliz de ter encontrado o caminho. Nós ainda estamos sempre buscando o aperfeiçoamento, obviamente, mas acho que é um ponto interessante a se pensar.

Essa questão: concurso de um lado, advocacia de outro e aquela incógnita: o que eu quero para a minha vida?

Muitas vezes a gente escolhe o concurso porque, igual eu disse, no meu caso, é a questão muito da estabilidade.

Enfim, mas, às vezes, a gente não consegue, naquele momento, enxergar outras possíveis situações também.

Gabriel: E uma questão, é verdade que está difícil.  Nós já falamos muito disso aqui, outros advogados já disseram.

Está cada vez mais difícil ser bem sucedido na advocacia porque o mercado está saturado, mas se a gente for ver toda a história que o Leo nos contou, ele está criando a própria sorte.

Então lá no início não foi fácil encontrar um estágio, ninguém queria oferecer um estágio, mas ele insistiu, todos os dias, até que conseguisse.

Depois disso, foi caminhando, degrau por degrau, até ele chegar onde está hoje.

Leonardo: Até um detalhe interessante, estou lembrando aqui, essas coisas a gente vai sempre recordando. Tanto é que eu ia todo dia, que eu comecei a decorar o barulho do carro do advogado.

Eu morava praticamente em frente a esse escritório lá em Viçosa e já sabia direitinho, praticamente, a hora que ele estava chegando. Eu descia e ficava esperando para tentar a vaga desse estágio.

É bacana, eu acho que é muito interessante quando a gente coloca um desafio e está disposto a enfrentar.

Tem que estar disposto, Gabriel, porque, realmente, igual você colocou, não é fácil. Acho que situações vão cada dia sendo diferentes para a gente.

Gabriel: Legal. Leo, você está no escritório tem quanto tempo?

Leonardo: É uma questão, Dr. Elder sempre faz questão de levantar o dedo quando eu falo do tempo e ele sabe exatamente o prazo certo que eu estou aqui, mas eu sempre deslizo.

Um pouco mais de três anos, não vou saber precisar, ao certo, a data, mas é um pouco mais de três anos.     

Dificuldades do mercado jurídico

Gabriel: E assim, nesse período de três anos, o que você mais aprendeu?

O que você mais errou?

O que você poderia compartilhar com alguém?

Se você começasse de novo, o que você faria diferente no escritório?

Leonardo: Interessante pergunta. Eu acho que, na advocacia, nossa principal dificuldade é saber conciliar a situação, atender o cliente bem.

Quando a gente fala em atender, não é simplesmente ir lá e fazer o entendimento, mas os feedbacks do cliente.

Acho que é muito interessante porque ele chega no seu escritório com uma dor, senão ele não viria aqui, senão ele resolveria sozinho.

Eu penso que a dificuldade é conciliar tudo isso: atendimento bom e depois assegurar a ele a defesa de seus direitos de forma adequada, efetiva e ampla, que está em nosso código de ética.

Então, se você for me perguntar, de forma bem objetiva, o que eu começaria de novo, digamos assim, é tentar equilibrar essa balança: é o cliente entrar aqui e eu conseguir respondê-lo num prazo razoável, comunicá-lo perfeitamente.

Nossos colegas advogados vão saber que não é fácil, às vezes você está numa audiência, o cliente está te ligando.

Eu tento colocar isso aqui no escritório, diariamente, a gente tentar aperfeiçoar isso e a gente tem tentado implementar sempre uma cultura de que o cliente é a alma do nosso negócio, e de fato é.

Então, solicitamos ajuda a consultorias externas, fazemos reuniões internas no escritório, sempre visando essa melhoria, sempre em prol do cliente.

Como inovar na prática

Gabriel: E Leo, eu conheço, até porque eu participei, principalmente no início, dessa mudança, quando a gente estava ainda no escritório, da mudança inicial que foi o choque, assim, quando você foi.

Tem como você contar um pouquinho como foi esse processo de mudança, desde quebrar parede.

O que foi bom naquele processo de mudança e o que poderia ter sido melhor também.

Leonardo: Bem, eu vou te falar o que eu acho que foi bom, o que eu penso deles chegarem aqui, aquela sensação.

Eu estou me lembrando do formato, do layout que era o escritório, aquela confusão, aquele tanto de cliente.

“Dr. Elder pra cá, Dr. Elder pra lá”, e até pagamentos eram realizados aqui no escritório, a gente ficava louco com isso.

Conseguimos fazer, graças a Deus, várias alterações. Dr. Jorge e Dr. Elder, os sócios, sempre dispostos a receber as nossas sugestões, sua mãe também, a Adriana, com a sabedoria empreendedora dela, de vir aqui, olhar, etc. estar disposta.

Enfim, acho que foi muito interessante, desde aquela poeira que a gente ficou aqui respirando, aqueles tijolos caindo, barulho, e a gente não parou de trabalhar um minuto, um momento.

Então eu penso que, hoje, quando o cliente chega aqui, ele até fala que é muito grande. Eu sempre lembro e penso: ele não viu nada de como era antes.

E é uma história, o escritório hoje tem mais de 30 anos e não é à toa, hoje a gente consegue entender.

Eu tenho três anos de escritório só, então é muito pouca a minha contribuição, mas o pouco do que a gente contribuiu aqui, eu penso que foi muito efetivo, Gabriel.

Foram muitas mudanças e tem muitas mudanças ainda a serem feitas, igual eu coloquei. O nosso principal desafio hoje é fazer o equilíbrio nessa balança.

Não adianta nada ter qualidade na minha peça, o meu companheiro atender bem, se, no final das contas, o cliente não está satisfeito.

O cliente quer o quê? Isso é uma coisa que eu penso que foi de melhor. Eu consegui enxergar todo o nosso organograma: o processo de entrar na recepção, as secretárias fazem toda a situação, até marcar um atendimento.

Então, eu penso que você participar ativamente, não só das decisões, mas também do dia-a-dia do seu ambiente de trabalho é muito importante, porque você consegue ter uma visão macro da situação.

Gabriel: Sim. Legal o Leo estar mencionando essa questão de “equilibrar a balança”.

Sempre o maior desafio dos advogados é conseguir dar conta de tudo e ainda inovar, e ainda fazer diferente, e ainda propor mudanças.

É muito difícil fazer tudo isso, é o desafio que acho que todos os advogados têm e trabalham muito para mudar.

Esse processo de mudança, que o Leo estava descrevendo, teve desde reforma interna à decisão de contratação de software, à troca de pessoas, a desenvolvimento de novas equipes, à abertura de nova sede, o desenvolvimento de estratégia de marketing digital.

Foi muita coisa ao mesmo tempo e, realmente, a gente vê que várias das mudanças deram certo e várias deram errado.

Agora, quando eu olho pata trás, e eu participei bem desse processo inicial de mudança, faria algumas coisas diferentes. Porque eu acho que, quando a gente quer mudar, às vezes a gente fica muito empolgado em querer mudar e perde o foco de mudança.

Ainda mais nesse cenário de ter que equilibrar a balança e querer mudar tudo.

Acho que, às vezes, faltou, em algum momento, a gente realmente definir: qual o maior problema do escritório hoje?

A gente estava em um momento específico no escritório, que já dava certo há muitos anos, o escritório não tinha problemas de captar clientes e, ainda assim, a gente investiu muitos esforços no marketing, que talvez não era a maior prioridade naquele momento.

Talvez a melhor forma seria melhorar a estrutura interna, melhorar processos internos, definir métricas.

O aprendizado que veio pra mim, de ter participado do processo, é o que eu sempre recomendo para os escritórios: nem tudo vale para todos.

Não adianta eu querer fazer o melhor marketing e usar a melhor tecnologia existente se eu não sei qual é o foco.

É muito importante a gente definir o foco e, a partir disso, definir métricas. Se a gente definir métricas, fica fácil saber se está melhorando ou não.

Eu não sei se você concorda com essa visão.

Baseie as mudanças nos reais problemas do escritório

Leonardo: Eu concordo e penso da mesma forma. No sentido de que, quando a gente chegou aqui, tinha várias coisas que, ao mesmo tempo que a gente elencou talvez como prioridade, depois a gente viu foi ver que não é prioridade.

O escritório já estava funcionando bem há muito tempo e, naquela ânsia de querer fazer algo novo, às vezes a gente acaba perdendo o foco do que a gente realmente precisa: primeiro eu preciso disso, segundo eu preciso partir pra isso.

Eu concordo com você. Acho que é uma coisa que a gente pode compartilhar com os nossos amigos advogados, a definição de “estratégias organizacionais”, acho que esse seria o termo.

Enxergar o que eu preciso organizar para melhor gestão do meu escritório, para melhor resultado do meu escritório.

Uma outra situação, Gabriel, acho que é impossível a gente fazer isso sozinho, acho que, se a gente ter uma equipe de trabalho proativa, que está disposta a encarar a mudança, é fundamental.

Uma cultura organizacional, eu penso, também, que é algo que eu aprendi muito nesse processo. Se a cultura organizacional não estiver legal, a coisa não funciona bem.

Eu não sei o que você pensa disso, mas acho que o trabalho em equipe é de suma importância, todos têm seus valores.

Gabriel: É, toda mudança é feita por pessoas.

Vocês conseguiram encontrar muitas pessoas bacanas que estão levando essa mudança para frente.

Uma questão que eu lembro é que a gente foi junto, em 2017, no LawTech Conference, na StartSe, você lembra daquele evento?

Como foi aquilo para você?

Você lembra das conversas que a gente teve quando a gente foi?

Foi o nosso primeiro contato com inovação, com Direito e tecnologia.

Você consegue lembrar e contar um pouquinho, o que você pensou e o que aquilo mudou na sua vida?

Leonardo: Olha, Gabriel, sendo bem sincero, até eu chegar lá no local do evento, eu estava muito perdido.

Ouvia vocês falarem de tecnologia, e foi até bom entrar nessa trajetória minha, porque eu nunca fui muito acostumado com a parte de tecnologia e eu sofro com isso, por não saber utilizar.

Entramos no avião e comprei aquilo que você estava falando e fui. Situação nova, fui ver o que é isso.

Enfim, chegando no local do evento, eu fiquei mais perdido ainda com aquele tanto de tela.

Eu me senti completamente abismado, pensei: “Minha Nossa Senhora, o que esses caras vão falar aqui hoje, o que eu vou saber”. Mas as palestras foram muito esclarecedoras e foi muito aprendizado.

Depois a gente foi para os stands das apresentações e vimos que, não era que a gente precisava daquilo, mas que a gente deve pautar o nosso escritório cada vez mais para a tecnologia.

Então o que eu aprendi foi que, na verdade, era preciso colocar mais um desafio: como a gente poderia fazer o uso da tecnologia cada vez mais dentro do escritório?

E voltamos de lá com essa meta. Começamos a comprar alguns sistemas para o escritório, sistema de gestão de prazos, controle de prazo, monitoramento das situações de dentro do escritório, até mesmo na questão da parte de segurança do escritório, não sei se você vai lembrar, a gente mexeu.

O que eu digo é que é muito bom e já até, talvez, não sei se adiantaria, uma nova situação dos nossos encontros. Se você me perguntar, hoje, qual o meu maior desafio, ao lado desse equilíbrio que eu falei, da nossa balança de situações diárias da advocacia, é, ainda, fazer o uso da tecnologia, é utilizar a tecnologia a nosso favor.

Eu aprendi isso, estou tentando, ainda, trabalhar, como fazer, o que eu posso sempre estar utilizando. Enfim, acho que foi isso.

Gabriel: E assim, foi/é o maior evento, talvez, do Brasil de tecnologia.

Eu sempre recomendo muito, o pessoal da StartSe é muito competente, e foi lá um passo muito grande para a gente.

Mas, uma questão que eu lembro do evento, e é muito legal: estava todo mundo falando de inovação tecnologia, mas a gente não conseguia muito “tangibilizar” aquilo.

A gente passou em todos os stands e em todas as lawtechs. Só que, naquele momento, a gente não tinha visto, ainda, nenhuma lawtech específica que se aplicasse ao escritório no dia seguinte, que iria mudar a nossa história.

A gente realmente ficou buscando tecnologia, meio perdidos, ficamos mais perdidos ainda, e entra aí a ideia de ser um equilibrista: fazer tudo no escritório e, agora, ainda tem essa coisa nova que estão falando com a gente, foi bem difícil.

Depois acabou que eu fui me aprofundando mais nisso, surgiu a oportunidade de fundar a Freelaw junto com a Julia, com o Bruno, o Alex e as outras pessoas que fizeram parte da equipe naquele momento, e acabou que eu saí do escritório e me tornei prestador de serviço para o escritório.

E é legal que a gente basicamente pensou assim: não tem nada para escritório do nosso porte, então vamos criar alguma coisa.

Identificamos um problema na época e desenvolvemos. Eu tenho saudade daquela época, foi milagrosa.

Leonardo: Foi bom, foi bom.

Gabriel: Leo, qual é o seu objetivo pessoal daqui a cinco anos e onde você acha que o escritório vai estar daqui a cinco anos? Eu sei que você está casado, então vai ter filhos em breve.

Desejos e previsões de um escritório de advocacia

Leonardo: Se Deus quiser! Bem, eu penso que objetivo pessoal, conforme expus aí no início da nossa conversa, é enfrentar esse desafio de se tornar um profissional reconhecidamente competente.

Ou seja, competente no sentido de que faça com qualidade, com dedicação, os trabalhos.

E penso que daqui a cinco anos, o Magalhães & Chegury certamente estará espalhada para outras localidades.

A gente até já recebeu alguns convites de expansão, mas, ainda estamos, mais uma vez, voltando à questão do foco, naquele dilema: é hora de abrir em outro local ou não é, ou temos que consertar algumas questões interna?

Então penso que daqui a cinco anos a Magalhães & Chegury estará em outras localidades, isso é o que eu coloco para mim como objetivo pessoal e como visão, nem vou falar futura, mas é uma visão curta de cinco anos.

Gabriel Leo, outra questão: como você concilia o escritório com a parte acadêmica e como você acha que isso contribui?

Onde você quer estar nesse tempo aí na carreira acadêmica também.

Como conciliar a advocacia com a vida acadêmica

Leonardo: Ótima pergunta.

Acho que isso é muito bom compartilhar, gostaria até que a gente tivesse, depois, opinião de outros colegas a respeito, porque a área acadêmica para mim foi, e é, de muita importância.

Foi lá que eu me encontrei, eu tinha dois caminhos, inicialmente, a seguir e, se eu escolhi este caminho, obviamente, é porque eu assim decidi.

Então, penso que a área acadêmica proporciona a gente a ter uma visão macro da situação, do que o Direito pode te oferecer. Mas eu quero também, ao mesmo tempo, fazer uma crítica a isso.

Eu penso que na área acadêmica, o grande problema hoje, é o aluno ficar cada vez mais só na teoria e pouco na aplicabilidade.

Então penso assim, Gabriel, e tento trabalhar isso nas minhas aulas, mas não é fácil, a gente sabe que não é fácil.

Eu estou sentando aqui hoje para te ouvir, mas, onde eu vou aplicar isso na minha vida? E eu penso nisso enquanto aluno, também, nas aulas de doutorado, penso: o que eu estou fazendo aqui hoje?

Então eu queria deixar essa reflexão, acho que é importante a gente saber onde a gente está, porque, senão, a gente nunca se encontra. Porque o leque e tão grande dentro do Direito de coisas situações em que a gente pode atuar, estar fazendo, enfim, que, se a gente não colocar um certo foco, uma certa miragem, eu tenho medo de a gente se perder.

E eu tento muito me preocupar, principalmente enquanto professor, com esse aspecto.

Porque eu vejo que os alunos hoje muitas vezes formam e param, não vão atuar, a gente sabe que tem “n” situações, falta de oportunidades etc.

Mas eu penso que, se você, dentro da graduação, se dedicar ao máximo, já é um bom caminho, porque você tem cinco anos de muito tempo para produzir.

 Igual você colocou, temos iniciação científica, monitoria, congressos internacionais, nacionais, seminários, temos estágios externos, estágios internos.

Então, para um graduando que esteja ouvindo, eu penso que seja importante essa sugestão: aprofunde-se na vida acadêmica. Mas, tenha sempre em mente: onde estou, aonde eu quero chegar, para que eu estou aqui numa sala de aula hoje. Porque senão, a gente pode, também, se perder e não saber para onde a gente quer mirar exatamente.

Considerações finais

Gabriel: E você tem algum conselho final para algum advogado, para algum escritório de advocacia, que esteja querendo inovar, que esteja querendo usar a tecnologia, aprimorar o dia-a-dia?

Ou também para um jovem advogado que está começando agora?

Leonardo: Acho que o conselho é bastante no que a gente faz, se você está ali, no escritório, na parte de gestão, aprofunde-se em cursos, inovações, procure saber se comunicar com sua equipe.

Se sua parte está em fazer audiência, sustentações, procure se aprofundar, fazer isso com qualidade e dedicação também.

Agora, se é atender um cliente, e eu gostaria de colocar isso como uma reflexão mesmo, para todos nós, como podemos fazer o equilíbrio dessa nossa balança?

Como podemos assegurar ao nosso cliente que ele seja atendido de forma adequada e que os seus direitos, o que ele busca, sejam efetivos e sejam amplos?

Acho que seriam esses os conselhos que a gente poderia compartilhar.

Gabriel: E como conseguir esse equilíbrio, acho que, na minha opinião, não tem resposta certa.

Leonardo: É, acho que não tem receita pronta, então é muito interessante o trabalho que você tem feito, Gabriel, porque é uma oportunidade que a gente tem de escutar outros colegas, saber o que eles têm feito dentro do escritório, se eles têm conseguido alcançar seus objetivos, porque a gente sabe que não é fácil. Eu acho que são extremamente importantes esses encontros, esses nossos bate-papos aqui.

Gabriel: Legal. Muito obrigado, você tem mais algum último recado que queira passar?

Leonardo: Não, acho que se eu me estender mais, a gente vai ficando aqui, porque é realmente apaixonante a advocacia.

Então compartilhar a experiência, nem se fala. Você sabe que eu adoro isso, eu adoro pessoas, adoro desafios.

Eu espero que a gente se encontre em outras oportunidades e, também para escutar as outras opiniões dos nossos amigos advogados e graduandos também. E agradecer você, Gabriel, pela oportunidade de participar desse encontro, acho que foi muito proveitoso.

Gabriel: Muito obrigado. Muita coisa valiosa sendo compartilhada.

Para quem não sabe, o nome do episódio a gente sempre decide depois que acaba o episódio.

E hoje, especialmente, eu estou com muita dificuldade de saber que nome a gente vai dar para esse episódio.

Porque o Leonardo contou sua história desde Raul Soares, um momento marcante dele, entre a enxada ou o estudo, o apoio da mãe, conseguiu ser monitor, teve que trabalhar desde cedo para conseguir pagar a faculdade.

Passou em um concurso público, largou o concurso público para advogar, antes disso, durante a trajetória acadêmica, ele conseguiu arrumar um estágio mesmo quando não existiam oportunidades, conseguiu, além disso, buscar oportunidades acadêmicas e depois foi pro escritório.

Compartilhou, também, os desafios da mudança, os acertos os erros, as superações e, nesse ponto, as nossas histórias se confundem um pouco, trouxe a área acadêmica, as críticas e também a importância dessa área.

Talvez não valha a pena a gente ficar o tempo todo só na teoria, é importante a gente alinhar isso à prática, mas sempre dando a devida importância para a área acadêmica.

E, no fim, a todo momento, o mesmo desafio: como a gente equilibra essa balança de atender bem o cliente e deixá-lo satisfeito, executar um ótimo serviço jurídico e, ainda por cima disso tudo, usar a tecnologia e conseguir realmente se diferenciar dos outros advogados.